A decisão do ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas de manter a candidatura ao governo de Alagoas pelo PSDB, abrindo mão de disputar uma das duas cadeiras de senador pelo estado, recolocou no páreo o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira. Se Caldas saísse candidato ao Senado, as possibilidades de eleição de Lira, que também quer ser senador a partir do ano que vem, diminuíam sensivelmente.

JHC, como é conhecido, integra o mesmo grupo político de Arthur Lira. A decisão dele de manter a candidatura ao governo foi anunciada no fim de semana, na reta final do prazo para registro de candidatura, após dias de especulações sobre uma possível mudança de rota que colocaria em risco a aliança com Lira.

A possibilidade de traição na disputa local passou a ser ventilada em meio ao desgaste na relação entre os dois, impulsionado pela ausência de JHC no lançamento da candidatura de Lira ao Senado. Não bastasse ter faltado ao evento, o que irritou o ex-presidente da Câmara, em seguida o tucano se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fora da agenda, e manifestou interesse em deixar a disputa pelo Palácio dos Palmares para concorrer a uma vaga ao Senado.

Para Lula, a desistência do ex-prefeito de Maceió seria o melhor dos mundos: abriria caminho para Renan Filho, do MDB, na disputa pelo governo e ainda poderia enfraquecer o projeto político de Lira, tido como inimigo do atual governo federal. O clã Calheiros, aliado do presidente da República (Renan Filho, inclusive, foi ministro dos Transportes no atual mandato do petista), trava há anos uma disputa política com o grupo de Arthur Lira em Alagoas.