O secretário de Segurança Pública do DF, Sandro Avelar, contou à coluna que a preparação das forças de segurança para o julgamento do ex-presidente Bolsonaro no STF, no dia 2, e para as comemorações do Dia da Independência inclui a utilização da chamada célula presencial, que reúne os serviços de inteligência do DF e de órgãos federais. Trata-se de uma medida preventiva para que nenhuma informação relevante se perca, garantindo a segurança nos eventos.

A maior preocupação, disse ele, são os chamados lobos solitários, que oferecem mais dificuldade de monitoramento pelos serviços de inteligência do que os grupos organizados pelas redes sociais. “Os lobos solitários merecem toda a nossa atenção”, afirmou Avelar, explicando que a célula presencial pode identificar o deslocamento de pessoas vindas de outros Estados com intenção de cometer atos isolados de violência.

Como vai funcionar o esquema de segurança para o julgamento do ex-presidente Bolsonaro no STF e para o dia 7 de setembro?
Estamos trabalhando em diversas frentes. Determinei a instalação da chamada célula presencial, que reúne os serviços de inteligência de vários órgãos do Distrito Federal e do governo federal para atuarem em conjunto. A ideia é não deixar nenhuma informação relevante se perder. Estão envolvidos a PF, a PRF, o GSI, além das polícias Civil e Militar, todos trabalhando para que possamos nos antecipar diante da eventualidade de algum evento importante. Estamos monitorando as redes sociais, mas, até agora, não há informações que configurem alerta.

Como será feita a segurança em torno do STF para o julgamento do ex-presidente Bolsonaro?
O efetivo da PM já está em condições de se posicionar em pontos estratégicos da Esplanada dos Ministérios e da Praça dos Três Poderes. Vamos manter os gradis isolando a praça para que o público fique afastado das proximidades do STF durante o julgamento. Essa medida será mantida até o dia 8. A atenção especial será concentrada entre os dias 1º e 8.

Haverá restrições de tráfego ou de pessoas no dia 7 de setembro?
No dia 6, a partir das 17h, restringiremos o acesso às proximidades do local do desfile, para que possamos realizar as varreduras necessárias e garantir a segurança das autoridades e do público.

Há manifestações programadas?
Sim. Duas manifestações estão previstas: uma perto da Torre de TV e outra organizada pelo movimento dos Excluídos, ambas no 7 de setembro. Mas os manifestantes não poderão se deslocar para a região do desfile.

Considerando os acontecimentos de 8 de janeiro, o serviço de inteligência tem maior preocupação com movimentos de grupos organizados ou de pessoas isoladas?
A maior preocupação são os chamados lobos solitários, cuja detecção é mais difícil e que exigem toda a nossa atenção. O monitoramento é mais complicado do que o de grupos que se organizam pelas redes sociais. Essa é mais uma razão para trabalharmos com a célula presencial: muitas vezes, a pessoa está em outro Estado e não é monitorada pelas nossas forças de segurança aqui no DF. Já a PF e a PRF, com maior capilaridade, podem ter informações de outros Estados. Alguém pode estar se deslocando para o DF e queremos ter acesso a essa informação.

A secretaria avalia que, depois do 8 de janeiro, houve incremento da criminalidade extremista?
Criamos, de maneira preventiva, na Polícia Civil, uma divisão de prevenção e combate a atos extremistas. Temos que tomar as cautelas necessárias; amadurecemos nesse aspecto e criamos uma política de integração muito grande com as demais forças de segurança. Se tivermos que errar, que seja pelo excesso, nunca pela negligência. Já enfrentamos várias situações difíceis de atos extremistas, que foram controladas.

Mudando de assunto, qual é a sua opinião sobre a PEC da Segurança Pública?
A PEC está longe de ser uma bala de prata, não ataca questões cruciais de quem atua no dia a dia da segurança. As atribuições que ela prevê para a PF, por exemplo, a PF já possui. Aspectos positivos são a ideia do compartilhamento das informações dos bancos de dados, a criação dos fundos de segurança pública e penitenciário e a previsão de que eles sejam incontingenciáveis, embora o Ministério da Justiça não tenha feito a previsão de fontes de financiamento para esses fundos. Nós, do Conselho Nacional de Secretários de Segurança, fizemos sugestões, algumas acatadas, como consignar no texto a autonomia dos Estados. Dos 27, 26 governadores aprovaram nosso texto.