Sob o manto do generoso prazo para a homologação de todas as candidaturas, Flávio Bolsonaro (PL) enfrenta impasses para bater o martelo sobre quem ocupará a vaga de vice na chapa conservadora ao Planalto. A aparente cautela se confunde com as limitações partidárias de quem se enquadra no perfil ideal para a conquista de novos eleitores, o que pode garantir vantagem sobre o principal adversário, o presidente Lula (PT).
Especulações recentes indicaram as deputadas federais Simone Marquetto (PP-SP) e Roberta Roma (PL-BA) como caminhos viáveis. Na mesma esteira, o prefeito de Salvador, Bruno Reis, do grupo político de ACM Neto (União Brasil), também surgiu como alternativa. Nenhum deles, contudo, empolgou tanto o núcleo duro da campanha quanto o ex-governador Romeu Zema (Novo) e a senadora Tereza Cristina (PP-MS). Mesmo com a simpatia dos mais próximos, a opção escolhida resultará na autorização direta de conhecidas figuras da política.
Caciques do PP e do União Brasil, Ciro Nogueira e Antônio Rueda formalizaram no TSE a federação entre as duas siglas para potencializar o desempenho nas urnas. Antes da escolha por Flávio, apostavam em Tarcísio de Freitas (Republicanos) para encabeçar a chapa da direita. A decisão de Jair Bolsonaro, contudo, afastou os dois aliados da disputa presidencial. Eles afinam o discurso de elogios ao filho do ex-presidente, mas, por ora, ambos acreditam que a polarização nacional tende a atrapalhar o desempenho dos dois partidos nas realidades estaduais. Da mesma forma, o ex-governador de Minas mantém o desejo de disputar a principal cadeira da Praça dos Três Poderes pelo Novo.
Pela legislação eleitoral, os pedidos de registro de candidaturas devem ser entregues ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) até 15 de agosto, dez dias após o fim do prazo para a realização das convenções partidárias. Até lá, caso algum dos nomes ventilados seja alçado a vice, com exceção da parlamentar filiada ao PL, garantiria ao centrão o passaporte de participar do principal núcleo dentro do projeto bolsonarista.