A sessão do STF para tratar da possibilidade de abrir uma investigação sobre a relação do ministro Alexandre de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro começou sob absoluta tensão dentro e fora do STF (Supremo Tribunal Federal). A reunião, marcada inicialmente para as 10 horas, teve início com 34 minutos de atraso.

Ao abrir os trabalhos, o presidente da corte, Edson Fachin, fez questão de chamar seus pares à responsabilidade e de destacar a importância do momento com institucionalidade. Citando nominalmente cada colega de plenário e lembrando o nome dos ministros que os antecederam, como forma de deixar claro que é preciso sobrepor a instituição a diferenças pessoais, Fachin afirmou, em tom solene: “Não temos o direito de entregar às gerações futuras um Supremo Tribunal Federal menor do que aquele que recebemos”.

Do lado de fora da sede do Supremo, já nas primeiras horas da manhã a preocupação com a segurança na região estava em nível máximo, com controle rigoroso de acesso. Policiais do Esquadrão Antibomba da Polícia Militar do Distrito Federal faziam varreduras frequentes em torno do prédio, com cães farejadores e equipamentos de detecção de explosivos. Jornalistas credenciados foram proibidos de ficar no subsolo da sede do tribunal, onde costumeiramente aguardam os ministros que deixam a garagem rumo ao plenário da corte. Nem mesmo a TV Justiça, que costuma registrar a chegada dos magistrados, pôde ficar no local.

Enquanto isso, o fogo cruzado entre os ministros seguia intenso. Pouco antes do início da sessão, o ministro Flávio Dino, alinhado a Moraes, determinou o envio a Fachin de dados de apurações envolvendo o instituto Iter, ligado a André Mendonça, além de contratos firmados com a prefeitura de São Paulo que têm relação com um irmão do ministro. Também foram tornados públicos diálogos ligando familiares dos ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques com a teia do Banco Master, em um movimento claro para tentar ampliar o número de integrantes da corte impedidos de decidir sobre a abertura de investigação contra Moraes.