Atendendo a um pedido do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, o ministro André Mendonça levantou o sigilo das investigações no âmbito do caso Master — e a decisão já divide as campanhas de Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência. Enquanto o entorno de Flávio minimiza os impactos da publicidade das apurações, aliados de Lula demonstram desconfiança em relação à atuação do relator do caso e acusam o ministro André Mendonça de promover “vazamentos seletivos” para influir na disputa eleitoral.
Do lado bolsonarista, a avaliação é que a quebra de sigilo do caso Master não altera a rota traçada pela campanha e de que o rótulo de “investigado” atribuído a Flávio não traz impactos práticos. Aliados do candidato do PL tratam a informação de que ele é investigado formalmente no inquérito sobre o filme Dark Horse como uma “notícia velha e requentada — o assunto voltou a circular nesta sexta depois que os autos foram tornados públicos. “Isso foi anunciado pelo ministro Mendonça em 23 de julho”, queixou-se uma pessoa do entorno de Flávio Bolsonaro.
A campanha seguirá tentando tratar o pedido de dinheiro feito ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme como uma captação junto à iniciativa privada e batendo na tecla de que o candidato já deu as explicações sobre o assunto. Em paralelo, vai defender a retirada total do sigilo do caso Master, especialmente da parte que trata do envolvimento do senador Jaques Wagner (PT-BA), aliado de Lula, com o banco — e e também da investigação sobre as fraudes no INSS, duas frentes com potencial de desgaste para a campanha de Lula.
Do lado petista, aliados de Lula avaliam, sob reserva, que Fachin deixou brecha para Mendonça só libere parcialmente as informações ao ressalvar que podem permanecer em segredo as “diligências cujo sigilo seja imprescindível à realização da medida”. Apesar da desconfiança, há a leitura de que o fato de o presidente do STF ter começado a agir para estancar a crise deve melhorar o cenário para Lula.
“Essa crise do STF caiu no nosso colo. A nossa expectativa é que, agora que o Fachin está tomando mais atitude, parem os vazamentos seletivos e comece a aparecer o lado dele [de Flávio Bolsonaro] também”, disse um dos coordenadores da campanha de Lula, que atravessa uma crise interna, com queixas que envolvem a inércia dos principais coordenadores na produção de material de divulgação e a dificuldade de acertar em um posicionamento político capaz de capitalizar a crise no Judiciário sem que o petista seja tragado por ela.

