Setores do governo e do próprio do STF (Supremo Tribunal Federal) se queixam do que classificam como “demora” do presidente da corte, Edson Fachin, em anunciar medidas para aplacar a grave crise inaugurada pela decisão de André Mendonça de retirar o sigilo de um relatório que aponta as conexões de Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro. Esses mesmos grupos dizem que a “inércia” de Fachin tem permitido que as tensões escalem — eles citam como exemplo a decisão de Mendonça de afastar Andrei Rodrigues da direção da Polícia Federal.
Embora ainda não tenha expirado o prazo de cinco dias úteis que Fachin deu tanto para Mendonça quanto para Moraes se manifestarem sobre a troca de acusações deflagrada pelo ato inaugural da crise, representantes do governo Lula e também de gabinetes da Suprema Corte dizem que ele já poderia ter sinalizado mais claramente que levará a questão ao plenário, retirar sigilos das investigações em curso ou mesmo avançar no plano, defendido nos bastidores pelo Planalto, de avocar as investigações do caso Master e do caso do INSS, que tem o primogênito do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, entre os alvos — as duas frentes estão nas mãos de André Mendonça.
“Só estamos hoje aqui porque na semana passada nada se fez”, disse ao PlatôBR um interlocutor do STF. Na noite desta terça-feira, 8, ao participar de um evento do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), Fachin disse que o Judiciário brasileiro “está à altura dos desafios” e que “à Justiça brasileira não faltará A legalidade constitucional”. Pouco antes, o governo reagira ao afastamento de Andrei Rodrigues do posto de chefe da PF, apresentando por meio da AGU (Advocacia-Geral da União), em caráter de urgência, um pedido de suspensão da liminar expedida por Mendonça pela manhã. O recurso se baseia, principalmente, no argumento de que a decisão afronta a prerrogativa constitucional do presidente da República de nomear e exonerar o diretor da PF. Em resposta, Fachin deu 72 horas para que Mendonça se manifeste.

