Ao abrir os trabalhos do Judiciário neste ano, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Edson Fachin, buscou um discurso moralizador para colocar nos trilhos o trabalho do Poder Judiciário que já vinha sofrendo críticas por cometer excessos. Essa avaliação se deve, principalmente, à atuação do Supremo no julgamento mais político do ano passado, que condenou à prisão os responsáveis pela tentativa de golpe de Estado liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores.

Um mês depois da fala, que reconhecia a necessidade de providências para arrefecer o estado de “tensão institucional” e de debates sobre o papel, os limites e as responsabilidades do Poder Judiciário, o STF enfrenta um aprofundamento da crise de imagem, principalmente após a divulgação das ligações dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, dono do Master. As revelações sobre a relação com o banqueiro forçaram Toffoli a deixar a relatoria do processo sobre o Master, que passou para o ministro André Mendonça. 

Mas discursos moralizadores, código de conduta, observatório sobre integridade e transparência, iniciativas que estão sendo tomadas por instituições e representantes do Judiciário, não têm sido suficientes para reverter a queda na confiança na Justiça por parte da população. Os “antídotos” contra a crise não funcionaram. Pesquisa da Quaest divulgada nesta semana mostrou, por exemplo, que de agosto de 2025 para cá o percentual de pessoas que dizem confiar no STF caiu 7 pontos percentuais (de 50% para 43%), enquanto as que dizem não confiar na corte subiu dois pontos percentuais (de 47% para 49%).

Além disso, 72% indicaram que o STF tem poder demais em suas mãos e 66% acham importante escolher senadores comprometidos com o impeachment de ministros do STF, uma pauta que, corriqueiramente, é levantada por membros da direita bolsonarista. Outro dado indica que 59% dos entrevistados identificam o STF com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e 51% indicam que o tribunal foi importante para a manutenção da democracia no país.

Polarização
A crise de imagem do STF passou a ter uma importância maior na política eleitoral por causa da polarização entre o governo Lula e o grupo de Jair Bolsonaro, que alimenta a hostilidade contra os magistrados que colocaram o ex-presidente na cadeia após a condenação por tentativa de golpe de Estado. 

Nesta semana, pelas redes sociais, o ministro Flávio Dino voltou a defender a corte apontando que o tribunal acumula mais acertos do que erros. “Reitero o que disse ontem na sessão da Primeira Turma do STF, que me cabe presidir. O STF acerta muito mais do que erra. Muito mais mesmo”, escreveu o ministro. “Em meio a críticas justas ao STF, embaralham-se equívocos repetidos à exaustão, como se verdades fossem. Especialmente em momentos confusos, é essencial ter serenidade, moderação e prudência, para separar o joio do trigo”, disse o ministro.