A visita do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), a Jair Bolsonaro na Papudinha, na quinta, 29, intensificou a movimentação política da última semana de janeiro, marcada por lances com consequências diretas nas eleições de outubro. Depois do encontro, Tarcísio repetiu que pretende disputar a reeleição este ano e reiterou o discurso de apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Planalto.

Foi a primeira visita de Tarcísio ao ex-presidente na cadeia. Em setembro, o governador esteve com Bolsonaro em sua residência em Brasília, onde cumpria prisão domiciliar antes de ser transferido para a Superintendência da PF e, depois, para a Papudinha.

Em entrevista, Tarcísio afirmou que vai trabalhar pela união de esforços contra o PT nas eleições. Disse também que Bolsonaro considerou positiva para a derrota de Lula a troca de partido do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que saiu do União Brasil e entrou no PSD.

Apesar das posições públicas, Tarcísio ainda é o nome preferido de uma parcela do Centrão e do empresariado. Ao lançar Flávio para a presidência, Bolsonaro dificultou as negociações em torno do governador, que deve lealdade ao ex-presidente. O tempo para Tarcísio tomar uma decisão definitiva é curto, pois para concorrer ao Planalto terá que se desincompatibilizar até o início de abril.

A entrada de Caiado no PSD
Sem espaço no União Brasil para concorrer à presidência, Ronaldo Caiado anunciou na terça-feira, 27, a filiação ao PSD, partido que tem outros dois pré-candidatos ao Planalto, os governadores do Paraná, Ratinho Jr, e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. O presidente da legenda, Gilberto Kassab, disse que a posição sobre a sucessão de Lula será tomada a partir de abril.

Kassab deixa claro que seu nome para o Planalto é Tarcísio de Freitas. Ao se apresentar com três candidatos, ele pressiona o governador e o campo da direita, pois sinaliza que o partido não apoiará Flávio Bolsonaro. Essa postura dificulta a união dos conservadores em torno de um nome forte para concorrer com o petista e reforça a tendência de divisão da direita no primeiro turno.

No Panamá, Lula defende integração da América Latina
Em discurso feito na abertura do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe, na Cidade do Panamá, o presidente Lula voltou a defender a integração dos países da região, condenou o unilateralismo e as “tentações hegemônicas” no mundo, uma referência indireta às ações do governo Donald Trump. Também como crítica ao presidente dos Estados Unidos, Lula se posicionou pela neutralidade do Canal do Panamá, entre o Atlântico e o Pacífico, por onde passa grande parte do comércio internacional.

As divergências com o governo dos EUA foram manifestadas depois de um telefonema entre Lula e Trump na segunda-feira, 26. Os canais entre os dois países permanecem abertos e o petista deve ir a Washington em março.

Além do discurso, outro ponto relevante da viagem de Lula foi o encontro com o presidente do Chile, José Antônio Kast. Apesar das diferenças ideológicas, os dois chefes de Estado firmaram compromisso pelo trabalho conjunto no combate ao crime organizado, na segurança pública e na estabilidade regional.

No encontro, Lula e Kast reiteraram a importância aprofundar as relações bilaterais entre Brasil e Chile, com esforços para a ampliação da cooperação em áreas como infraestrutura, energia renovável, comércio e turismo.

Copom: corte nos juros ficou para março
O Comitê de Política Monetária decidiu na quarta-feira, 28, manter os juros em 15%. A queda da taxa Selic, aguardada pelo governo, ficou para março, conforme indicado em comunicado pelo Banco Central. A nota fala em “a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, uma sinalização de que a redução deve ficar em 0,25 ponto percentual.

Para o governo, a queda nos juros será importante para melhorar o ambiente de negócios e impulsionar a economia no ano eleitoral.