A taxa de US$ 1 bilhão cobrada por Donald Trump para que o Brasil faça parte do “Conselho da Paz”, que decidirá o futuro da Faixa Gaza, correspondia nesta terça-feira, 20, a R$ 5,39 bilhões, com a cotação da moeda estrangeira a R$ 5,399. Como mostrou o PlatôBR, o convite do americano surpreendeu o Palácio do Planalto, que ainda avalia como responder. 

Não há espaço fiscal no orçamento de 2026 para esse desembolso. Caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva faça a opção por aceitar o convite e pagar o que Trump cobra, será necessário cortar despesas do Orçamento ou abrir um crédito extraordinário, com autorização do Congresso, para que o valor fique fora das regras fiscais.

Os R$ 5,39 bilhões são mais do que o total de recursos que o governo direcionará neste ano, por exemplo, para o programa Gás para Todos. A previsão é desembolsar R$ 4,7 bilhões para garantir o acesso ao botijão de gás para 15 milhões de famílias de baixa renda.

Esses recursos também equilavem a mais da metade do programa Pé-de-Meia, orçado em R$ 11,47 bilhões, e que garante incentivo financeiro para que estudantes do ensino médio permaneçam em sala de aula. 

O valor da taxa cobrada por Trump corresponde, ainda, a 41,14% do gasto de janeiro do governo com o Bolsa Família, que totalizou R$ 13,1 bilhões com o pagamento de benefícios para 18,77 milhões de famílias.

‘Preço’ de um assento permanente
Além de Lula, entre os chefes de Estado convidados por Trump para integrar o Conselho da Paz estão os presidentes da Argentina, Javier Milei, e da Turquia, Recep Erdogan. Em princípio, a participação é de três anos. Mas Trump estipulou uma regra segundo a qual os países que contribuírem com a taxa de US$ 1 bilhão, dinheiro que seria destinado à reconstrução de Gaza, terão assento permanente.