A possibilidade de a ministra Simone Tebet (Planejamento) mudar seu domicílio eleitoral para São Paulo e integrar a chapa ao governo do estado que servirá de palanque para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva depende de uma conversa direta com o petista.

Hoje no MDB, Tebet já recebeu o convite do presidente do PSB, João Campos, para integrar a legenda, e sinalizou que aceita a mudança. Mas com uma condição: só aceitará após ter garantias de Lula em relação a alguns pontos que considera caros para sua carreira política.

A ministra vem sendo cotada como possível candidata ao governo paulista com apoio de Lula. Alternativamente, caso a chapa seja encabeçado por outro nome, poderia se candidatar a uma das vagas no Senado. O presidente, que deve ser candidato à reeleição, se movimenta para montar uma chapa forte em São Paulo para ampliar suas chances no estado.

Para trocar de domicílio eleitoral (hoje no Mato Grosso do Sul) e de partido, Tebet quer que Lula assegure, por exemplo, recursos financeiros a sua candidatura e apoio da militância petista. A ministra também espera ter garantias de que não será alvo do conhecido “fogo amigo” do PT, especialmente das alas do partido mais à esquerda.

Além disso, caso não saia vencedora, a ministra quer a promessa de que continuará ministra em um eventual novo mandato de Lula.

A lista é extensa e significativa, mas Tebet espera ser atendida por Lula em todos os pedidos, principalmente por considerar que, ao trocar de estado e de legenda, estará abrindo mão de uma longa história do MDB, um partido grande que, por sinal, deve se voltar contra ela em São Paulo caso a mudança se concretize. O MDB paulista está hoje sob controle do grupo político que tem à frente o prefeito da capital, Ricardo Nunes, hoje alinhado ao bolsonarismo.

A ministra avalia que seu movimento seria até maior do que o feito nas eleições passadas pelo atual vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, que se filiou ao PSB deixando o PSDB já decadente, e sob o comando de João Doria, para formar a chapa com Lula. Outro ponto que ela espera ver considerado é que deixar seu estado-natal é uma mudança sem possibilidade de retorno.

Todas essas observações já foram postas à mesa por Tebet nas conversas que manteve com lideranças do PSB para tratar da filiação ao partido, entre elas o próprio João Campos. Pelo menos uma dessas reuniões contou com a participação da deputada Tabata Amaral (PSB-SP), namorada de Campos.

A ministra deve conversar com Lula ainda nesta semana durante viagem ao Panamá, onde o presidente participará do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe. Tebet integrará a comitiva. A ideia do próprio Lula é que até o Carnaval a chapa em São Paulo já esteja definida – o que inclui, por óbvio, o destino de Simone Tebet. 

Chapa em aberto
Além de Tebet, Lula ainda precisa avançar nas conversas com outros ministros para a formação da chapa paulista. Um deles é Fernando Haddad (Fazenda). O presidente ainda espera convencê-lo a se candidatar. Se a tentativa der certo, Haddad poderia ser candidato tanto ao governo quanto ao Senado. Tendo todos os nomes à mão, o passo seguinte será acomodar cada um em uma posição da chapa.

Outro nome que corre por fora é o de Geraldo Alckmin, que o PT paulista gostaria de também ver na chapa estadual, embora ele mesmo diga que seu projeto é continuar como vice de Lula. A depender dos arranjos, o PSB cogita pleitear para Tebet uma candidatura ao Senado e sugerir para o governo o nome do ministro Márcio França (Empreendedorismo). Essa solução, com França candidato ao Palácio dos Bandeirantes, não agrada ao PT.

Outra ministra envolvida na formação da chapa em São Paulo é Marina Silva (Meio Ambiente), que também avalia a possibilidade de se candidatar ao Senado e busca um partido. Entre as possibilidades de Marina está um retorno ao PT, partido que deixou há 17 anos. Ela também recebeu convites do PSB e do PSOL.