O Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu nesta quarta-feira, 17, reduzir a taxa de juros em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano. A decisão era amplamente esperada pelo mercado, mas o comunicado trouxe mais dúvidas do que respostas sobre os próximos passos da diretoria do Banco Central, diante da falta de clareza nas explicações para diminuir a Selic. 

Como esperado pelo mercado, a projeção dos diretores da autoridade monetária para a inflação no horizonte relevante, que considera 18 meses à frente, subiu de 3,5% para 3,7%. Na prática, o BC se afastou do seu objetivo central, de levar a inflação para a meta, de 3%. Para parte dos economistas, isso sinalizaria que o momento é de interromper o ciclo de cortes

A confusão, de fato, está explícita quando o BC tentar justificar a decisão de cortar os juros. Segundo o colegiado, o momento, caracterizado por juros altos e grande incerteza na economia global, afeta os modelos de projeções.

“Na avaliação do Comitê, o grau de restrição acumulado pela política monetária permite diferentes trajetórias de taxas de juros compatíveis com a convergência da inflação para a meta. Os modelos de projeção, utilizando essas trajetórias da taxa básica entre seus condicionantes, estão sujeitos a incertezas acima das usuais na conjuntura atual. Essas incertezas se somam ao cenário de choques de oferta, o que fundamenta a graduação, ao menos parcial, de seus efeitos sobre a dinâmica futura de preços”, informou o Copom.

No parágrafo seguinte, não ficou claro o que a autoridade monetária quis comunicar. Segundo os diretores do BC, as projeções atuais mostram que “a trajetória de política monetária necessária para assegurar a convergência da inflação à meta, no atual horizonte relevante, implicaria que as taxas de inflação projetadas a partir do horizonte relevante vigente na próxima reunião estariam situadas abaixo da meta”.

Reunião de agosto
Ao que parece, o BC justificou que “trajetórias alternativas” podem garantir a convergência da inflação à meta no primeiro trimestre de 2028, o horizonte relevante a partir da decisão do Copom que será tomada em agosto. Dessa forma, foi possível cortar os juros em junho. E há a interpretação de que seria possível seguir cortando os juros, com base nessa avaliação do BC.

A falta de clareza na comunicação obrigará o presidente do BC, Gabriel Galípolo, a explicar a decisão do Copom didaticamente na entrevista coletiva que concederá no dia 25 de junho, quando o Relatório de Política Monetária será publicado. E a tendência é de que o mercado reaja mal ao comunicado nesta quinta-feira, 18, com aumento dos juros.