A ditadura de Nicolás Maduro acusou os Estados Unidos de atacar alvos na capital Caracas e em outras regiões do território venezuelano na madrugada. Explosões em instalações militares e vôos rasantes de aeronaves foram reportados em diversas partes do país. Já no início da manhã deste sábado, 3, o presidente americano Donald Trump confirmou os ataques e anunciou que Maduro foi capturado e retirado do país.

“Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado, juntamente com sua esposa, e retirado do país por via aérea. Essa operação foi realizada em conjunto com forças de aplicação da lei dos Estados Unidos”, anunciou Trump em sua rede, a Truth Social.

Já faz algum tempo que eram aguardados, inclusive pelo governo brasileiro, ataques americanos à Venezuela. Trump, por diversas vezes, chegou a mencionar essa possibilidade. Até então, só haviam sido realizados ataques a embarcações supostamente usadas pelo narcotráfico na costa do país e, dias atrás, uma instalação no litoral que também seria usada por traficantes de drogas foi alvo de um ataque de drone atribuído à CIA – em meio ao recesso de fim de ano, não houve qualquer manifestação de Brasília acerca do assunto, como registrou o PlatôBR.

Trump já vinha indicando o desejo de ver Maduro, sucessor do também ditador Hugo Chávez, fora do poder. Após os ataques, o regime Maduro declarou estado de emergência e falou em “ataque imperialista” ao país, referindo-se, evidentemente, aos Estados Unidos e ao governo Trump.

Até o início da manhã não havia declaração do governo brasileiro sobre os ataques desta madrugada. Nos últimos meses, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou preocupação com o risco de um conflito militar na região. Nos bastidores, e com discrição, o governo vinha trabalhando com esse cenário e considerava que uma operação militar americana poderia acontecer a qualquer momento. A tendência é que haja uma declaração ao longo do dia.

Auxiliares do governo já haviam indicado, sob reserva, que em caso de deflagração de uma ofensiva muito provavelmente o Planalto tenderia a criticar a iniciativa, sob o argumento de que não aprova intervenções estrangeiras em um país soberano, menos ainda com uso da força.

Apesar de rusgas recentes, inclusive pela decisão de não reconhecer as últimas eleições no país, marcadas por suspeitas de fraude, o governo Lula ainda é considerado um aliado do governo Maduro em razão dos laços à esquerda do presidente e de seu partido, o PT, com o chavismo – uma relação que vem desde a época em que Hugo Chávez comandava a Venezuela.

Em Brasília, tanto o núcleo central do governo quanto os setores militar e de inteligência já vinham desenhando cenários que consideravam os possíveis reflexos sobre o Brasil de um ataque americano à Venezuela, especialmente as implicações na região de fronteira, onde é esperada uma nova leva de refugiados venezuelanos em direção ao território brasileiro, temendo os riscos naturais que um conflito militar acarreta. O país tem mais de 2 mil quilômetros de fronteira terrestre com a Venezuela.