A viagem a Portugal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, voltou a movimentar a CPI Mista encarregada de investigar fraudes bilionárias em aposentadorias e pensões. Durante a sessão desta segunda-feira, 2, a comissão exibiu uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo com a informação de que o voo e a hospedagem do filho do presidente nessa jornada teriam sido pagos por Antunes.

Desde o ano passado, a CPI tinha conhecimento da viagem de Lulinha a Portugal ao lado do empresário. A novidade foi o suposto reconhecimento por parte do filho do presidente, em conversas reservadas, de que a viagem teria sido custeada pelo principal alvo da comissão. Um dos representantes do governo no colegiado, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), diz que a reportagem é improcedente.

A publicação sobre o pagamento das despesas aconteceu poucos dias depois que a CPI aprovou a quebra de sigilos fiscal e bancário de Lulinha, em uma sessão marcada por confusão e briga entre governistas e oposição sobre o quórum da votação. A condução dos trabalhos foi contestada pela bancada do Planalto e o desfecho do caso vai depender de uma decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Nos bastidores, parlamentares avaliam que o novo fato tende a manter o desgaste político do governo dentro da CPMI. Entendem também que a descoberta deve oferecer à oposição mais um elemento de pressão durante os interrogatórios e a análise dos documentos já requisitados.

Na base governista, o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), afirmou que “todo mundo é inocente até que se prove o contrário” e defendeu que eventuais responsabilidades sejam apuradas pelos órgãos competentes. Na oposição, o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) disse que a nova informação reforça a necessidade de aprofundamento das investigações e sustentou que cabe à CPI e à Polícia Federal delimitar o alcance da relação investigada.