Decididos a disputar as eleições de outubro, Ibaneis Rocha (MDB), do Distrito Federal, e Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, são os primeiros governadores a anunciar que deixarão os cargos para concorrer nas eleições de outubro deste ano. Os dois confirmaram nesta semana que passarão as cadeiras para seus vices. A previsão é que Zema entregue o comando do estado para Mateus Simões (PSD) no próximo domingo, 21. O emedebista marcou a despedida para o dia 28 de março, um sábado, quando deixa o Palácio do Buriti nas mão de Celina Leão (PP).

Os substitutos assumem os cargos com a intenção de ganhar visibilidade e concorrer a mais um mandato e manter seus grupos políticos no poder. Embora esteja entre os nomes preferidos da direita para compor a chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) como vice, Zema mantém a disposição de protagonizar um projeto próprio de candidatura ao Palácio do Planalto.

Ibaneis segue com o plano de disputar o Senado por Brasília, apesar da relutância de parte da ala bolsonarista em apoiá-lo para uma das vagas na chapa encabeçada por Celina. As menções a seu nome no inquérito da Polícia Federal que investiga o negócio entre o banco Master e o BRB desgastam a imagem do governador do DF e podem atrapalhar seus planos eleitorais. Ainda assim, interlocutores avaliam que o emedebista terá até o início de agosto, prazo definido pelo TSE, para conseguir apoio nas convenções partidárias que oficializam as chapas que estarão nas cédulas em outubro.

A legislação eleitoral estabelece até o dia 4 de abril para que governadores em segundo mandato consecutivo, caso de Zema e Ibaneis, renunciem à cadeira para disputarem as eleições deste ano. Até lá, além deles, Ratinho Júnior (PSD-PR), Eduardo Leite (PSD-RS) e Ronaldo Caiado (PSD-GO) também devem renunciar aos governos para mais uma vez testarem a popularidade junto aos eleitores.

No Rio de Janeiro, embora Cláudio Castro (PL) sinalize a intenção de disputar o Senado, a renúncia dele resultará em eleição indireta para a cadeira, já que Thiago Pampolha, o então vice, abriu mão do posto para assumir vaga no Tribunal de Contas do estado. Contra o governador, há o julgamento pela Justiça Eleitoral sobre suspeitas de abuso de poder político e econômico de Castro nas eleições de 2022. A decisão deve ocorrer no próximo dia 24.

A situação é um pouco diferente no Rio Grande do Norte. Fátima Bezerra (PT) planejava concorrer ao Senado, mas desistiu do projeto após desentendimentos com o vice Walter Alves (MDB). A governadora esperava entregar o Executivo para o emedebista, que prefere renunciar e concorrer a uma cadeira de deputado estadual. A falta de sintonia resultou não apenas no rompimento, mas também na frustração dos planos da governadora petista, que permanecerá no cargo.