Michelle tem incomodado as chamadas "viúvas" de Flávio por ser apontada como aposta para liderar o campo bolsonarista

A senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF) voltou a ser alvo do chamado “fogo amigo” de seletos integrantes do campo conservador após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para Lula (PT) no segundo turno das eleições deste ano. A mais recente tentativa foi propagar uma suposta crise conjugal, prontamente desmentida por amigos mais próximos da família.

Coincidência ou não, a movimentação ganhou força depois que a ex-primeira-dama usou as redes sociais para divulgar uma mensagem na qual o ex-presidente teria clamado pela “união da direita” e pelo fim da busca por culpados pela derrota do filho. Correligionários avaliaram que Michelle teria tentado assumir o papel de “porta-voz” de Jair Bolsonaro, uma vez que o ex-titular do Palácio do Planalto cumpre prisão domiciliar, por tentativa de golpe, na casa que divide com a ex-primeira-dama. Michelle nunca escondeu o descontentamento com a escolha do enteado para disputar as eleições presidenciais.

Apesar da derrota no segundo turno, o PL manteve a aposta na candidatura de Rogério Marinho (RN), ex-coordenador da campanha de Flávio, para presidir o Senado. Mas Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura do governo bolsonarista e próxima de Michelle, também pretende disputar o comando da Casa. A senadora do PP reafirmou que manterá a candidatura para tentar ser a “primeira mulher” a presidir o Senado, mas reconheceu que segue em conversas com Marinho na tentativa de construir um entendimento.

Se os dois nomes forem mantidos até a eleição de fevereiro, Michelle poderá se ver diante de uma escolha politicamente delicada: apoiar o candidato de seu partido ou optar pela senadora com quem mantém uma relação pessoal muito próxima. Caso o atual cenário se mantenha, a campanha de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) tende a levar vantagem. O senador busca a reeleição e, para isso, negocia apoio tanto na base do governo Lula quanto na oposição conservadora. Por isso, entre Marinho e Tereza, é mais provável que o atual presidente do Congresso torça pela briga.