Entorno do governador de São Paulo avalia que esta eleição era a melhor oportunidade para disputar o Planalto e teme que o PT passe a mirá-lo

Enquanto lideranças políticas repetem à exaustão em Brasília, sem pensar muito, que Tarcísio de Freitas chegará forte à corrida presidencial de 2030, aliados do governador fazem um diagnóstico menos otimista.

O entorno de Tarcísio argumenta que ele passará a ser alvo da esquerda e entrará na fila de prioridades do PT para ter sua reputação moída pela máquina do partido e do governo reeleito no último domingo, 25.

Os mais próximos dizem que Tarcísio é "um militar disciplinado" e "saberá se comportar".

"Mas será um caminho difícil. O canhão vai se voltar contra ele, mais cedo ou mais tarde", disse à coluna, sob reserva, um parlamentar de São Paulo.

Outro ponto levantado é que "política é timing" e que a eleição para Tarcísio vencer teria sido a de 2026. Muita coisa, claro, vai acontecer nos próximos quatro anos.

Há, ainda, a desconfiança natural sobre como o bolsonarismo reagiria a um protagonismo maior do governador reeleito no primeiro turno.

"O Jair, no meu ponto de vista, não ficou tão triste com o resultado. Tirou o Tarcísio do jogo numa eleição que era do Tarcísio e ainda rifou o filho considerado mais político. Ganhou tempo. Todo mundo sabe que o Jair não poupa ninguém, nem amigos nem a própria família", comentou outro aliado de Tarcísio.

Jair cumpre pena em prisão domiciliar, em Brasília, e torce, mesmo com a vitória de Lula, por algum acordão entre os Poderes que lhe renda indulto ou anistia.