Comitê eleva para 3,5% a inflação projetada para 2028, acima da meta. Retomada do ciclo de cortes depende de compromisso de do governo com a contenção de gastos
O Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu nesta quarta-feira, 4, manter a Selic em 13,75% ao ano, diante do aumento das projeções de inflação depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A revisão das estimativas considera que o governo continuará gastando mais ao longo dos anos e acumulando déficits, o que pressiona o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).
A estimativa para o segundo trimestre de 2028, horizonte relevante do Banco Central, subiu de 3,2% para 3,5%, acima do centro da meta, de 3%. Para 2026, a previsão passou de 5,2% para 5,6%. Para 2027, de 3,9% para 4,7%.
Diante desse cenário, o comitê presidido por Gabriel Galípolo adotou mais cautela, em meio à deterioração do ambiente externo, ao encarecimento do petróleo e à alta do dólar.
Nas entrelinhas, a retomada dos cortes de juros depende de Lula anunciar um pacote fiscal que sinalize claramente o compromisso do governo com a desaceleração das despesas e da dívida pública.



