Petista tenta conter a apreensão dos investidores com o aumento de gastos sem dar margem a críticas de “estelionato eleitoral”
Reeleito com promessas que elevam os gastos públicos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara um pronunciamento à nação para acalmar o mercado. A expectativa é que o vídeo seja divulgado no fim de semana e o petista deve defender a responsabilidade fiscal. Aliados do chefe do Executivo no Congresso, entretanto, esperam que eventuais cortes sejam “pontuais”, “graduais” e “nada radicais”.
No governo, a maior preocupação é que a de que o pacote de bondades anunciado na campanha não seja vista como “estelionato eleitoral”. A principal mensagem de Lula será a de que os compromissos assumidos sairão do papel no quarto mandato e serão cumpridos sem desequilibrar as contas públicas. Reservadamente, integrantes da gestão afirmam que o presidente pretende cumprir as metas de superávit já estabelecidas.
O tom do discurso foi definido depois que a equipe de comunicação identificou a viralização, nas redes sociais, de críticas de opositores. Segundo eles, Lula não teria condições de entregar tudo o que prometeu. Uma das bandeiras mais citadas é o fim da escala 6x1, aprovada pelo Senado antes do segundo turno das eleições presidenciais. O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) prepara um decreto presidencial para regulamentar as exceções à nova jornada.
Nesta semana, a ofensiva chegou ao Congresso. O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), acusou o governo de aplicar o “conto da escala 5x2”. Para ele, o efeito da redução da jornada será comprometido pelas exceções que o próprio Executivo vai estabelecer. “Tolos os que acreditaram em um governo que não cumpre acordo. Essa é a primeira [promessa] que vai ser descumprida. Era só para fazer o diabo para ganhar a eleição”, disse.

