Há um temor, misturado com resignação, entre auxiliares de Lula em relação ao atual momento da campanha presidencial: o de que Flávio Bolsonaro tenha conseguido capturar o sentimento “antissistema”.
Algo parecido com o que aconteceu com o pai, em 2018.
No entorno de Lula, a avaliação é a de que Flávio se lançou candidato, ainda no fim de 2025, com o intuito de preservar o bolsonarismo, não necessariamente de vencer a eleição.
De lá para cá, porém, se colocou no jogo. Ficou solto para, na oposição a Lula, criticar o atual governo, defender mudanças e fazer promessas. Em agosto, ao abrir oficialmente a campanha, Flávio chegou a dizer que enfrentaria “esse sistema”.
A impressão, até mesmo entre ministros do governo Lula não palacianos, é a de que a pecha de “Flávio corrupto” não tem tido efeito eleitoral esperado, em razão de uma “identidade de alma” de parte dos eleitores, como a coluna ouviu de um auxiliar de Lula, com o bolsonarismo “antissistema”.
É nesse contexto que o recente reposicionamento de Lula mirando as bets é encarado como a nova aposta.

