Um dos principais modelos da sociologia e da ciência política eleitoral é a famosa metáfora do “funil de causalidade”, que visualiza a decisão do voto como a boca de um funil.
O conceito foi apresentado em 1960, no livro “The American Voter”, por pesquisadores da Universidade de Michigan.
A “ponta do funil” é justamente esta reta final da campanha, em que elementos inesperados, imprevisíveis e de curto prazo podem interferir na decisão final do voto.
Na última eleição presidencial, em 2022, dois fatos dessa natureza foram considerados determinantes para a derrota de Jair Bolsonaro: as imagens da então deputada Carla Zambelli com uma arma nas mãos pelas ruas de São Paulo e a reação de Roberto Jefferson a uma ação da Polícia Federal — o ex-dirigente partidário recebeu os agentes à bala.
Até o próximo domingo, 4, data do primeiro turno da corrida eleitoral de 2026, o espaço do funil ficará cada vez menor.
Nesse contexto, a decisão dos Estados Unidos e da Austrália, por exemplo, de fechar suas embaixadas no Brasil na antevéspera do pleito acende um alerta.

