O Conselho Superior do Ministério Público Federal, órgão máximo da instituição, decidiu nesta sexta-feira, 25, que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, poderá seguir à frente das investigações sobre o Banco Master. Os conselheiros  rejeitaram por unanimidade — foram 9 votos a 0 — a ideia de afastá-lo do caso. Na mesma reunião, também decidiram arquivar um pedido para que Gonet fosse investigado internamente por seu relacionamento o ex-banqueiro Daniel Vorcaro — além de trocarem recados, os dois compartilharam uma mesa em Londres regada a uísque e charutos. A decisão que rejeitou a abertura da uma apuração, porém, teve um placar apertado: 5 a 4. O voto que selou o resultado foi do subprocurador-geral da República Nicolao Dino, irmão do ministro Flávio Dino, do STF.

Ao final, prevaleceu o entendimento do relator, o subprocurador-geral Francisco Sanseverino, para quem um eventual impedimento ou a suspeição de Gonet no caso Master é matéria que cabe ao STF (Supremo Tribunal Federal), e não ao Conselho Superior do MPF. Sanseverino também votou pelo arquivamento do pedido de investigação interna. No parecer, defendeu não haver registro de conversas diretas entre o PGR e Daniel Vorcaro. “Não se pode examinar frases ou troca de mensagens de forma isolada para não criar uma situação artificial que não corresponda à realidade dos fatos”, afirmou.

O relator foi acompanhado pelos conselheiros Celso de Albuquerque, Alexandre Camanho, Hindemburgo Chateaubriand e pelo próprio Nicolao Dino. Ficaram vencidos Janice Ascari, Samantha Chantal, José Adônis e Ana Borges Santos, que defenderam a designação de um subprocurador-geral para aprofundar as apurações sobre a conduta de Gonet. “Não há um ato que indique que o PGR tenha praticado ou deixado de praticar algum ato que viesse a beneficiar, favorecer ou inviabilizar a investigação contra Daniel Vorcaro”, disse Nicolao Dino ao desempatar o placar.

A notícia de fato julgada pelo conselho foi apresentada pela bancada do Partido Novo na Câmara. Até dias atrás, era dado como certo que os conselheiros manteriam Gonet à frente das apurações sobre a maior fraude bancária da história do país. Só que a certeza virou dúvida depois que veio a público a foto em que o PGR aparece bebendo uísque e fumando charuto ao lado de Vorcaro, em registro feito à margem de um evento bancado pelo Master e do qual os dois participaram em Londres, em 2024. A imagem, que causou desconforto até entre aliados do procurador-geral, mas foi suficiente para dividir o conselho, mas não para que ele fosse afastado do caso ou investigado internamente. Gonet escapou por pouco.