Presidente não quer repetir o terceiro mandato, quando partidos com ministérios não entregaram os votos. Recado foi dado por Guimarães, e o PT já sinalizou apoio a Motta
Fortalecido pelo resultado das urnas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou a alinhavar sua base no Congresso ao sinalizar apoio à recondução dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), aos respectivos cargos. Mas, antes de iniciar o diálogo com presidentes de partidos e lideranças do Centrão sobre a composição da nova Esplanada, o petista definiu uma condição: não aceitará a adesão de partidos que não se comprometam a votar a favor das pautas prioritárias do governo no quarto mandato.
Lula não quer repetir a fórmula do terceiro mandato, em que legendas com cargos no governo não se comprometeram a votar com o Planalto. É o caso do União Brasil, do PP, do Republicanos, do PSD e do MDB, entre outros, que tiveram ministros nomeados, mas não entregaram integralmente os votos para a aprovação dos projetos do governo. Articuladores do Planalto explicam que o cenário agora é diferente do que existia no início do terceiro mandato, quando Lula precisou negociar sob tensão permanente por causa do orçamento secreto, comandado pelo então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e pelo então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
O recado foi dado pelo ministro José Guimarães (Relações Institucionais) durante encontro com deputados do PT, atuais e eleitos. Ele ressaltou que os partidos do Centrão são bem-vindos no governo Lula 4, mas precisarão ter “participação efetiva”. “Não é meia participação, não é meia governabilidade, tem que ser governabilidade integral e total”, disse o ministro.
O governo avalia que o forte avanço da bancada do PL na Câmara e no Senado obriga o Centrão de Alcolumbre e Motta a buscar uma composição com partidos mais alinhados ao Planalto para continuar no comando do Congresso. Nesta terça-feira, 27, a bancada do PT sinalizou que vai apoiar Motta na disputa pela presidência da Câmara. Com isso, o partido de Lula deve se somar ao bloco de mais de dez legendas que já declararam apoio à reeleição do deputado. Alcolumbre, por sua vez, também iniciou a articulação e já garantiu o apoio do União Brasil e do PP à sua candidatura.

