Presidente do Senado afirma a interlocutores que já reúne maioria necessária para reeleição e aposta em PL isolado após derrota de Flávio Bolsonaro
Aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), avaliaram em conversa com o PlatôBR que a reeleiçãode Luiz Inácio Lula da Silva promove um “rearranjo de forças” na disputa pelo comando da casa a partir de 2027. Ao longo desta segunda-feira, 26, o senador fez circular entre interlocutores a informação de que já reúne os 41 votos, ou seja, a maioria absoluta do plenário de 81 senadores, para se reeleger à Mesa Diretora. Nas conversas, o amapaense teria afirmado também ter condições de derrotar “qualquer nome” lançado pela oposição na próxima legislatura.
Apesar do otimismo, Alcolumbre deve enfrentar um terreno hostil no Senado no próximo ano. Derrotado na disputa presidencial, o PL terá a maior bancada a partir do próximo ano (com 29 senadores), e passou a tratar como inegociável o lançamento de uma candidatura própria ao comando da casa. Com o resultado do segundo turno, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, ganhou força como o nome do partido para a disputa.
Entre aliados de Alcolumbre, a avaliação é de que, neste momento, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) "perdeu fôlego" e não deve mais contar com a adesão da direita bolsonarista. Mesmo assim, Marinho está longe de ser uma unanimidade na oposição — e os dissidentes já entram nos cálculos do atual presidente do Congresso.
Além dos dissidentes bolsonaristas, Alcolumbre calcula contar com a totalidade da bancada governista e a maioria do Centrão. No entorno do senador, a avaliação é de que a “maré virou” após Lula vencer Flávio Bolsonaro por 4,4 milhões de votos no último domingo, 25, e de que o PL ficará isolado no Congresso a partir de 2027. Para conter o partido, Alcolumbre articula comUnião Brasil, MDB, PP e Republicanos, legendas que, em sua maioria, apoiaram Flávio no segundo turno.
A movimentação repete a engenharia política que pavimenta a recondução de Hugo Motta (Republicanos-PB) na Câmara. Ambos foram recebidos por Lula nesta segunda-feira, 26, no Palácio da Alvorada. Na ocasião, o presidente reeleito sinalizou apoio à recondução de ambos ao comando das casas e defendeu a aprovação da PEC da Tarifa Zero pelo Legislativo até o fim deste ano.



