Derrota de Jorge Messias no Senado é vista como precedente para pressionar o presidente a nunca mais fazer indicações ao Supremo sem alinhar antes com o mundo político

Um dos argumentos usados pela direita para conquistar votos para Flávio Bolsonaro, sobretudo no primeiro turno, foi o de que, se reeleito, Lula indicaria mais quatro ministros "com o perfil de Flávio Dino" ao Supremo Tribunal Federal.

A hipótese era explorada em tom, obviamente, pejorativo, pelo fato de Dino ser um aliado de primeira hora de Lula, tendo sido ministro da Justiça e Segurança Pública no terceiro mandato do petista.

Com a reeleição do presidente concretizada, o Centrão não acredita que o prognóstico da direita vá se confirmar. A avaliação é a de que a derrota da indicação de Jorge Messias, no fim de abril, abriu um precedente com potencial para mudar as negociações em torno de novas vagas.

"Lula vai indicar nomes alinhados a eles, sem dúvida, mas terá de se sentar com o Centrão. Se mandar nomes sem negociar, o Senado vai barrar quantas vezes for necessário", disse à coluna uma liderança de partido de centro.

Nos bastidores de Brasília, há ainda a aposta de que Lula indicará uma ou duas mulheres para as vagas a que terá direito ao longo do quarto mandato.