Na hora em que realmente precisa falar, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se cala.
Esta coluna revelou nesta sexta-feira, 25, que os vídeos divulgados por bispos ao longo da semana clamando por “voto consciente” não são apenas manifestações genéricas, mas uma mobilização de um segmento da Igreja Católica a dias das eleições. Os protagonistas são os chamados “bispos amazônicos”, que possuem forte identidade com o campo progressista.
A própria assessoria do presidente do PT, Edinho Silva, confirmou, em mensagem escrita, que os vídeos se tratam de um “movimento da própria CNBB”. Em seguida, após a publicação da reportagem, houve um movimento que pretendia retirar esse trecho do texto, o que não foi nem será feito. A informação está mantida porque corresponde ao que foi informado.
Diante da relevância da mensagem, o PlatôBR cobrou, por e-mail, não respondido até então, um posicionamento oficial da CNBB.
Por telefone, um dos assessores da entidade, inquieto e apressado, disse não ter qualquer previsão de quando haveria alguma resposta. Seco, despistou qualquer tentativa de conversa, num comportamento que não combina com uma entidade religiosa.
Padre Arnaldo Rodrigues da Silva, assessor-chefe da CNBB, não atendeu às ligações (em dois números) e não respondeu às mensagens enviadas pela coluna. O PlatôBR também tenta, sem sucesso, ouvir os próprios bispos. O espaço está aberto.
É uma tradição: quando, de fato, tem de se posicionar, a CNBB se embanana na crise e se recolhe em silêncio. Que, ao menos, seja em oração.

