Governadora reeleita, Celina Leão quer se desvincular da gestão de Ibaneis Rocha, mas evita provocar ruídos na base aliada
A possibilidade de publicar um “decretaço” no Diário Oficial do do Distrito Federal daqui a alguns dias, com exonerações e trocas para o novo mandato, reforça a decisão de Celina Leão (PP) de querer escrever a própria história no comando do Distrito Federal nos próximos quatro anos. Apesar de não ter anunciado oficialmente, a governadora reeleita reconhece que é preciso imprimir uma identidade própria à nova gestão, o que a ajudaria a se afastar do carimbo de Ibaneis Rocha (MDB), de quem foi vice.
Com ou sem "tesourada", o desenho da nova equipe exigirá habilidade, conversas com partidos da base governista na Câmara Legislativa e possíveis contratempos. Desde que foi reeleita, Celina sinaliza a intenção de manter pessoas de confiança em posições estratégicas, sem que seja interpretada como adepta da “caça às bruxas”. Por isso, tende construir um secretariado com prestígio de aliados, especialmente em áreas consideradas problemáticas na avaliação pública. A posse para o próximo mandato será no dia 6 de janeiro de 2027.
Outro movimento observado nos bastidores seria uma possível viagem de Celina aos Estados Unidos daqui a alguns dias. Depois de um pequeno descanso no litoral de Alagoas, a governadora faria um gesto de confiança ao presidente da Câmara Legislativa, Wellington Luiz (MDB), cotado para assumir um novo mandato no comando da Mesa Diretora. A titular do Buriti, contudo, adiou o afastamento depois de a imprensa noticiar a suposta intenção.
Apesar do quadro, a governadora reeleita deve reunir o primeiro escalão no início da próxima semana, em Brasília, quando pretende comunicar o que espera do novo mandato. Para aliados, a titular do Palácio Buriti tem defendido a permanência dos quadros que apresentaram bons resultados de março até aqui. Da mesma forma, não hesita em criticar o desempenho de quem assumiu a secretaria apenas para dar continuidade ao trabalho do padrinho, que comandou a pasta até o prazo permitido pela Justiça Eleitoral.



