No fim do mês passado, um acidente na cidade de Urda, no centro da Espanha, deixou pelo menos 69 pessoas mortas

Nesta semana, o ministro dos Transportes da Espanha renunciou depois de dois graves acidentes ferroviários no país em menos de um ano.

O nome dele é Óscar Puente. Ele também já avisou que não vai disputar as próximas eleições legislativas. 

Puente não considera que tenha responsabilidade direta pelos acidentes, que deixaram mais de 100 mortos. Mas afirmou que não poderia continuar no cargo por uma questão de, nas palavras dele, “dignidade política, coerência e empatia com as vítimas”.

A notícia não repercutiu no Brasil. Não estamos acostumados a gestos como esse. Por aqui, talvez a própria população considerasse uma atitude dessas coisa de "homem frouxo", quando é justamente o contrário.

Quando ocorrem as nossas tragédias cotidianas, políticos convocam marqueteiros, montam gabinetes de crise, fazem coletivas prometendo "tomar todas as medidas cabíveis", divulgam notas de lamento e… se seguram na cadeira.

Nos últimos anos, pontes caíram, viadutos desabaram, hospitais foram sucateados e nossa safra de políticos culpou adversários e enalteceu a si mesma. No máximo, pedem licença para arejar a cabeça e, sabe como é, sair do foco do noticiário.

Renúncia no Brasil (e no Paraguai, pelo jeito) só quando o político se vê ameaçado de cassação, por exemplo. Aí ele sai de cena por estratégia e sobrevivência, não por qualquer outro motivo, e volta logo ali em seguida — muitas vezes, mais forte.

Pedir para sair não é admitir culpa. É ter ciência da responsabilidade que se tem. É bater no peito e ter noção de que as falhas e as crises precisam realmente ter consequências e deixar ensinamentos. Mas é coisa de gente grande. E, infelizmente, estamos rodeados de seres miúdos.