Pelo menos dois ministros procuraram o presidente do Senado para pedir a votação de propostas de interesse do governo e tentar barrar textos que impactam as contas públicas

Que a relação não anda nada boa não é segredo, mas o governo busca acertar com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), uma pauta de votações até julho deste ano, período que antecede a campanha eleitoral. A se julgar pelos sinais emitidos pelo presidente do Senado, um acordo nesse sentido está longe de ser fechado.

Pelo menos dois ministros de Lula buscaram o presidente do Senado nesta terça-feira, 9, para tentar um entendimento. José Guimarães (Relações Institucionais) sugeriu o nome do senador Camilo Santana (PT-CE) para relatar a PEC do fim da jornada 6x1. Dario Durigan (Fazenda) atuou para evitar que Alcolumbre coloque para votar nos próximos dias "pautas" que caem como uma "bomba" nos cofres do governo. 

Além da proposta sobre a jornada de trabalho, o governo quer destravar as votações da PEC da Segurança e do projeto que cria regras para a exploração de terras e minerais raros até o início do recesso, marcado para o dia 17 de julho. Durigan pediu que Alcolumbre não paute a PEC das Igrejas, já aprovada pela Câmara, que amplia isenções tributárias para entidades religiosas e organizações sem fins lucrativos.

Produtores rurais
Outra proposta que Durigan quer evitar a aprovação é a que trata da renegociação das dívidas dos produtores rurais, que tem impacto estimado em R$ 120 bilhões nos próximos dez anos. Além disso, o governo quer também adiar a análise da PEC que concede aposentadoria integral e com paridade a agentes de saúde, aprovada na Câmara em outubro do ano passado e que já tem parecer favorável na CCJ. O impacto estimado é de R$ 99 bilhões.

Durigan também listou como proposta indesejada a que amplia a parcela de recursos da União destinada ao FPM (Fundo de Participação dos Municípios), que pode custar mais de R$ 10 bilhões somente em 2027. Além dessa, o governo quer adiar a apreciação do novo piso salarial de médicos e cirurgiões dentistas que teria o impacto de R$ 47 bilhões para a União. Essa última proposta ainda não passou pela Câmara.