Eleito senador pela Paraíba após dois mandatos como governador, João Azevêdo (PSB) chega ao Congresso em meio à expectativa de uma legislatura marcada pelo embate em torno do Supremo Tribunal Federal (STF) e pela renovação do Parlamento.

Em entrevista à coluna, ele defende que o Senado discuta os questionamentos envolvendo o Supremo com responsabilidade, sem deixar de lado pautas sociais e econômicas de interesse da população.

Aliado do presidente Lula, Azevêdo também fala sobre os desafios de fazer oposição em uma Casa com tendência majoritária de direita e sobre o impacto da chegada de novos perfis à política, como influenciadores digitais.

O início da próxima legislatura será pauta única: STF, STF e STF?
O Senado não pode se esquivar de discutir nenhuma pauta, mas temos muitos temas urgentes que precisam ser debatidos pelo Congresso Nacional. A população espera de nós equilíbrio, transparência e compromisso com as pautas de interesse social e econômico, como ocorreu com a aprovação do fim da escala 6×1, uma vitória da classe trabalhadora, que terá melhor qualidade de vida e mais tempo com a família em função de uma decisão política. Quando entrarem em pauta assuntos relacionados ao STF, vamos discutir com seriedade, responsabilidade e a certeza de que ninguém está acima da lei.

Como será fazer oposição em um Senado majoritariamente de direita e provavelmente comandado pelo PL?
Primeiro, acredito e trabalho pela eleição do presidente Lula, que tirou novamente o Brasil do mapa da fome, reduziu a taxa de desemprego e retomou e ampliou os programas sociais, entre eles o Minha Casa, Minha Vida. Acima de qualquer coisa, sou democrata, e temos que pautar as discussões pelo respeito às divergências, no campo das ideias. Nossos debates serão sempre baseados em argumentos. O que o povo brasileiro pode esperar de mim é um senador que defende a liberdade, a democracia e as políticas de inclusão. Queremos levar à tribuna, para apreciação dos colegas, pautas que fazem parte da vida da população.

Com tantas mudanças na forma de fazer política, será possível manter a aura do Senado e a credibilidade da Casa Alta?
Todos os que estão e estarão naquela Casa foram eleitos pela vontade soberana do povo, que depositou nas urnas a esperança e a confiança no trabalho de cada um de nós. O que acredito e defendo é que os interesses do povo devem estar acima dos interesses partidários e das disputas de poder.