Em Brasília, mais até do que quem venceu o debate da Band, ecoa nesta segunda-feira, 19, a pergunta sobre por que, como registramos, Lula e, principalmente, Flávio Bolsonaro fugiram do tema STF.

Alexandre de Moraes não teve o nome citado. A palavra impeachment não foi mencionada, nem em referência a Moraes nem a qualquer outro ministro.

Por quê?

A relação de Moraes com Daniel Vorcaro e as mensagens enviadas pelo banqueiro ao ministro — cujo sigilo foi levantado por André Mendonça — levaram o presidente do Supremo, Edson Fachin, a marcar a fatídica sessão de 15 de setembro. Não se falava em outra coisa, inclusive na campanha de Flávio, que capitalizou o ambiente ao atrelar Lula a Moraes.

Naquela sessão, após reações do decano, Gilmar Mendes, e de Flávio Dino, sobretudo, que defenderam que a postura de Mendonça fosse analisada junto com a de Moraes, nada ficou decidido.

Antes da sessão, o voto de Kassio Nunes Marques, ministro do STF e atual presidente do TSE, já era contabilizado nos bastidores como favorável à abertura de uma investigação sobre Moraes. Kassio, no entanto, pediu para sair logo no início, declarando-se impedido. Alegou estar presidindo o TSE, mas não era esse o motivo. O ministro havia sido alvo de reportagens que também mostravam sua relação com Vorcaro, por meio de contrato milionário envolvendo seu filho, advogado de 26 anos.

A ala do STF ligada a Moraes, mas não só, estranhou o fato de nada disso ter sido debatido no programa deste domingo, 18. Ora, o Judiciário foi o assunto central de boa parte do primeiro turno. A bancada expressiva do PL no Congresso se explica muito em razão disso. Mas, agora, parece que a crise esfriou e a temperatura diminuiu, justamente na reta final da corrida presidencial. Flávio e Lula se calaram. Houve acordo para o silêncio ou nem foi preciso?

No debate, Flávio limitou-se a dizer que Lula desmantelou a Operação Lava Jato “com seus amigos lá no Supremo”. E parou por aí.

Lula, por sua vez, só se referiu a um ministro do STF quando, pressionado pelo adversário a tratar do caso envolvendo o filho Lulinha, citado nas investigações sobre as fraudes no INSS, disse que André Mendonça, relator do caso, é “amigo” de Flávio. Mas também não desenvolveu.

Flávio não mordeu a isca nem avançou no assunto. Não concordou nem discordou de Lula. Vai que chegava no assunto Kassio…

No mundo jurídico, a interpretação predominante é a de que as movimentações do trio Gilmar, Dino e Moraes a partir da sessão do dia 15, somadas aos conflitos entre STF e TSE, tiveram o efeito de esfriar o assunto e deixar ambos os candidatos de mãos atadas.

Flávio sabe que, além dos próprios telhados de vidro, terá de lidar com os de Kassio Nunes Marques, indicado por seu pai.

Lula também tem ciência de que é difícil se desvencilhar da imagem de Moraes, em razão, principalmente, das investigações sobre os atos de 8 de janeiro de 2023.

Bingo!

O caminho da “pacificação” — entenda como quiser — está pavimentado, seja com Flávio ou Lula eleito no próximo domingo, 25.