O presidente Luiz Inácio Lula da Silva contratou um aumento de R$ 30 bilhões nas despesas públicas de 2027 com apenas duas benesses eleitorais anunciadas na última semana: o reajuste do Bolsa Família e a disponibilização de canetas emagrecedoras no SUS (Sistema Único de Saúde).
O reajuste no valor do benefício social terá um impacto fiscal estimado de R$ 5,8 bilhões ainda neste ano e de R$ 22 bilhões em 2027. Os pagamentos já com o novo valor começarão a partir de 19 de outubro, a poucos dias de um eventual segundo turno da corrida presidencial.
No caso das canetas emagrecedoras, o custo orçamentário anual foi estimado em R$ 8 bilhões por ano. O anúncio da medida surpreendeu analistas econômicos e até mesmo os especialistas em saúde pública. Um dos motivos era uma recomendação em sentido contrário feita pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde), colegiado que serve para orientar decisões do SUS sobre inclusão e exclusão de medicamentos, procedimentos e exames.
A comissão havia recomendado ao Ministério da Saúde que não incorporasse a liraglutida e a semaglutida, princípios ativos das canetas emagrecedoras, ao sistema. Antes do início da campanha, uma das preocupações dentro do governo era com o possível impacto fiscal da medida, que poderia desequilibrar ainda mais as contas públicas.

