Haddad, Gleisi e Tebet estão entre os aliados sem mandato; presidente também precisará ceder pastas e estatais por apoio, e até vagas no STF e no TCU entram na negociação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá desafios para escolher os integrantes do ministério com o qual vai governar o país até 2030. O petista precisará se desdobrar para acomodar aliados derrotados nas eleições, abrir espaço para o Centrão em troca de apoio no Congresso e atender aos desejos dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Para garantir palanques em vários estados e fazer frente ao plano do bolsonarismo de conquistar maioria no Senado, que acabou bem-sucedido, Lula mandou para o “sacrifício” nomes do PT e de partidos aliados em candidaturas aos governos estaduais e ao Legislativo. Com isso, Fernando Haddad, Gleisi Hoffmann, Paulo Pimenta, Randolfe Rodrigues, Marina Silva, Simone Tebet, Márcio França, João Campos e Carlos Fávaro ficaram sem mandato e precisarão ser acomodados em cargos na Esplanada.

Outro desafio de Lula será abrir espaço para o Centrão em busca de governabilidade. Para isso, terá de ceder ministérios e cargos em troca de apoio na Câmara e no Senado. A mesma lógica vale para Motta e Alcolumbre. Para manter uma boa relação com o Planalto, os presidentes das duas Casas legislativas devem ser contemplados com indicações para o primeiro escalão e para estatais. Até as vagas no Tribunal de Contas da União (TCU) e no Supremo Tribunal Federal (STF) entram nessa equação.

Como mostrou o PlatôBR, o presidente do Senado não desistiu de indicar para o Supremo o ex-senador e ministro do TCU Rodrigo Pacheco. Caso isso ocorra, a vaga na corte de contas poderá ser preenchida por Simone Tebet.