A forma como os vencedores, Lula e o STF vão lidar com a derrota de Flávio Bolsonaro será tão importante quanto o avanço das investigações

A semana pós-segundo turno termina, sem muita surpresa, com o país dividido. São dois Brasis.

De um lado, euforia. Muita euforia pela virada histórica de Lula. Também pudera. Foi algo inédito desde a redemocratização.

Do outro, um clima de luto e consternação, que provoca sentimentos e decisões variadas, incluindo o desejo de fechar negócios e, assim como Flávio Bolsonaro, deixar o país.

Decretar a "morte política" de um nome ou de um grupo é um clássico da vida em Brasília. A história mostra que quase sempre quem o faz erra.

Lula, reeleito para o quarto mandato, concentrou no discurso pelo aniversário de 81 anos as críticas à família Bolsonaro. Foi aconselhado a moderar o tom e a se preocupar, agora, em governar.

O STF, por meio de Alexandre de Moraes e Flávio Dino, usou a caneta nos minutos e nas horas seguintes ao resultado para pedir os passaportes de Flávio Bolsonaro e investigar interferência externa na eleição de 2026, respectivamente. Não esperaram nem "o defunto esfriar", como diz o ditado popular.

O bolsonarismo acabou? Ninguém sabe. Mas, a princípio, não. Quem tem os pés mais no chão em Brasília diz que isso vai depender muito do próprio Lula e, principalmente, do STF. Além de um monte de outras coisas.

É legítimo e imperativo, obviamente, avançar com as investigações em curso. Mas a forma será determinante. O entusiasmo, a torcida e, em alguns casos, o instinto de sobrevivência, no entanto, atrapalham essa compreensão.

A vingança pela vingança dará mais palanque a quem perdeu, que ganhará de presente a chance de, de novo e sempre, se vitimizar diante de, frise-se, metade do país. Flávio recebeu quase 60 milhões de votos, nem todos "extrema-direita e fascistas".

O fígado de alguns poderá manter o bolsonarismo mais vivo do que nunca.