Presidentes do Brasil e da Ucrânia devem se falar ainda nesta semana. Script da conversa vem sendo negociado há dias, mas Planalto admite possibilidade de roteiro não ser cumprido
Assessores do presidente Luiz Inacio Lula da Silva e do presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, estão em tratativas finais para acertar os detalhes da conversa que os dois devem ter, por telefone, ainda nesta semana. Até esta quarta-feira, 2, as equipes em Brasília e Kiev vinham acertando os termos do telefonema para deixar bem definido o que um vai apresentar ao outro.
O pedido para a conversa partiu de Zelensky, segundo o Palácio do Planalto. O presidente brasileiro revelou que falaria com o ucraniano ao responder a uma pergunta do PlatôBR ao final de sua viagem ao Japão e ao Vietnã.
Apesar de conversas assim seguirem um script desenhado previamente, sempre há possibilidade de algo sair do previsto - e um auxiliar de Lula diz que essa possibilidade bem sendo considerada.
A posição de Lula sobre a guerra na Ucrânia já é conhecida, e o Brasil tem interesse em tentar uma mediação, por avaliar que pode reforçar posições em favor de um cessar fogo já assumida anteriormente também por países como a China.
O presidente condenou a invasão da Ucrânia pela Rússia, mas defendeu que os dois países buscassem um acordo de paz. O Brasil não concordou, por exemplo, com a exclusão da Rússia de um recente encontro de líderes europeus, em Paris, para discutir o conflito na Ucrânia.
O governo brasileiro entende que nenhum dos lados está 100% certo nessa questão. Lula havia criticado Zelensky anteriormente depois de concluir que o ucraniano não estaria interessado na paz e no fim do conflito.
“Num conflito como esse, se os dois estiverem dispostos a negociar, será muito melhor para a Ucrânia, muito melhor para a Rússia, muito melhor para a Europa e muito melhor para o mundo. (...) Eu aprendi na minha vida política a fazer acordos. Ia na porta de uma fábrica, xingava o patrão, xingava a segurança da fábrica e ligava pro patrão: ‘Vamos negociar?’. E a gente negociava. Essa é a minha vida. E é isso que eu faço na política”, disse Lula na Ásia na semana passada.
Após o presidente americano Donald Trump repreender publicamente Zelensky, chamando-o de “ditador” e praticamente o expulsando da Casa Branca, o ucraniano reconsiderou propostas que haviam sido feitas pelo Brasil e também pela China para tentar encerrar a guerra.
Lula elogiou a posição de Trump em defesa de um cessar-fogo. Para o governo brasileiro, a posição manifestada por Trump reforçou o que Lula já vinha defendendo muito antes. A posição do Brasil sobre o conflito passou a ter mais peso agora, avaliam assessores de Lula.
Depois de falar com Zelensky, Lula irá a Moscou no dia 9 de maio para se encontrar com o presidente russo, Vladimir Putin. Ele foi convidado para acompanhar a celebração do Dia da Vitória, que comemora a derrota imposta à Alemanha de Adolf Hitler na Segunda Guerra.



