Copom começa reunião sob pressão do governo para seguir cortando a Selic, hoje em 13,75%. Goldman Sachs vê piora da inflação e defende pausa para preservar credibilidade

O Copom (Comitê de Política Monetária) inicia nesta terça-feira, 3, a penúltima reunião do ano sob forte pressão do governo para que o colegiado mantenha o ciclo de cortes de juros. A Selic está em 13,75% ao ano e o mercado avalia que não há espaço para novas reduções.

O economista-chefe do Goldman Sachs para a América Latina, Alberto Ramos, vê piora no cenário para a inflação no Brasil. Ele cita a combinação de alta do dólar, volatilidade no preço dos ativos, promessas de aumento de gastos públicos feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e falta de clareza sobre a possibilidade de o governo estabelecer uma âncora fiscal crível no curto prazo.

Nesse contexto, Ramos espera que o comitê presidido por Gabriel Galípolo interrompa a queda dos juros, mas sem encerrar de vez o processo de afrouxamento. Entretanto, ele não descarta um novo corte de 0,25 ponto percentual, que levaria a taxa básica para 13,50% ao ano.

“Acreditamos que uma pausa — em vez de um corte — seja a escolha mais adequada do ponto de vista da credibilidade e da gestão de riscos macroeconômicos. Isso não impediria a retomada do ciclo de normalização assim que o balanço de riscos para a inflação se tornar mais favorável. Uma postura menos restritiva agora poderia facilmente levar a uma necessidade de juros mais altos no futuro”, afirmou.