Senador diz que voltará a disputar a Presidência, enquanto governador paulista admite 2030 e ex-primeira-dama reforça Jair como líder da direita

Quase uma semana após a derrota presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a ressaca dentro do campo conservador segue latente. Além da fuga do senador para os Estados Unidos e a fatídica carta divulgada pelo ex-candidato, os desdobramentos do resultado eleitoral escancararam também uma disputa que era pouco percebida, mas que sempre esteve entre as lideranças da direita: quem vai herdar o comando do bolsonarismo nos próximos anos?

Governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) não disfarçou o descontamento com a fuga de Flávio e o questionamento sobre o resultado das urnas. O político era preferido dentro de boa parte da direita, com direito a Michelle Bolsonaro como vice na chapa que poderia disputar o Planalto. Jair Bolsonaro escolheu o primogênito. Com isso, Tarcísio e Michelle seguiram seus projeto e ambos venceram as eleições deste ano. Após a derrota de Flávio, o governador aliado do bolsonarimo deixou escapar o interesse de ocupar a liderança nas eleições presidenciais de 2030. Durante entrevista ao Estadão, o ex-ministro revelou que a possibilidade de disputar o Planalto no próximo pleito dependerá da boa avaliação do próximo mandato e, claro, o apoio de aliados dentro do campo conservador.

Parte da ala bolsonarista não gostou da antecipação de Tarcísio de Freitas. As críticas ocorreram em meio ao turbilhão de ataques ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), responsabilizado por grupos conservadores pela derrota de Flávio. O deputado divulgou um vídeo polêmico sobre o Nordeste e que teve repercussão negativa, especialmente entre nordestinos. Com a guerra declarada, Michelle Bolsonaro usou as redes sociais para defender os aliados. No texto publicado nos stories do Instagram, a ex-primeira-dama fez o papel de "porta-voz" de Jair Bolsonaro ao tentar acalmar o campo ideológico. Jair Bolsonaro (PL) cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado. No mesmo texto, Michelle reafirmou que o ex-presidente considera que este momento seja "de união" e não para a busca por "culpados" pela derrota, quando reforçou a liderança política do ex-marido dentro do campo da direita.

Na sequência, Flávio Bolsonaro também decidiu se posicionar nas redes e demonstrou não ser uma carta fora do baralho na sucessão bolsonarista. Dos Estados Unidos, durante uma live no Instagram, o senador sugeriu que poderá disputar o Planalto "antes de 2030" e revelou que decidiu fugir do Brasil logo após a visita ao pai, quando tomou conhecimento pela Polícia Federal do cancelamento dos seus passaportes por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Flávio é investigado em dois inquéritos que tramitam na Suprema Corte. Na mesma transmissão, o primogênito do ex-presidente indicou que praticamente ninguém soube da viagem ao Estados Unidos pela Argentina, insinuou que poderia estar preso caso ainda estivesse no Brasil e voltou a levantar suspeitas de fraude no resultado eleitoral durante o segundo turno. Contudo, o parlamentar não apresentou provas para sustentar a acusação.