Fazenda vai propor lei para mirar o centro da meta em 2027, mas ministro da articulação política nega debate sobre pacote fiscal. Para mercado, medida vai na direção certa, mas não basta

Os ministros do governo Luiz Inácio Lula da Silva têm emitido sinais contraditórios sobre a possibilidade de o petista adotar medidas para reduzir o ritmo de crescimento da dívida pública.

Enquanto o ministro Dario Durigan (Fazenda) afirmou nesta terça-feira, 27, que o governo enviará ao Congresso um projeto de lei para estabelecer o compromisso de atingir o centro da meta fiscal em 2027, o ministro José Guimarães (Relações Institucionais) disse que um pacote de ajuste das contas públicas não é prioridade nem está em discussão com Lula.

Ao mirar o centro da meta, o governo teria autorização legal para bloquear mais recursos ao longo do ano, o que limitaria os gastos dos ministérios. A medida busca sinalizar ao mercado que a gestão petista está comprometida com a melhora das contas públicas.

Um banqueiro ouvido pelo PlatôBR afirmou que a proposta de Durigan vai na direção correta, mas é insuficiente para melhorar o resultado fiscal do país. Ele disse ainda que a falta de sintonia entre os ministros de Lula gera incerteza, já que o principal articulador político do governo nega que um ajuste nas finanças públicas esteja em debate.