O presidente ainda não conversou com caciques da legenda para definir o espaço de seu partido nos ministérios
A vitória de virada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um alívio para o PT, mas deixou uma “ressaca” que ainda precisa ser superada, inclusive na relação com o petista. Um sintoma disso é a demora de Lula em ouvir o partido e definir o espaço da legenda na Esplanada dos Ministérios. O presidente da sigla, Edinho Silva, é interlocutor assíduo do chefe do Executivo. Mesmo assim, saiu chamuscado internamente por ter coordenado a campanha mais “desorganizada” de Lula, nas palavras do próprio presidente. Agora, mesmo vitoriosos, os petistas tentam se recuperar do susto do primeiro turno e iniciar a reacomodação de nomes.
Lula ainda não chamou o partido para as definições. “Eu creio que a gente vai ter alguma pista nas duas próximas semanas”, disse um integrante da bancada. “Lula está segurando bastante, mas a gente deve ter uma reunião com ele quando ele voltar da viagem à Turquia e às Filipinas”, afirmou.
O diretório nacional deve se reunir no dia 13, antes da conversa prometida com o presidente, que embarca na segunda-feira, 9. Até lá, todo tipo de especulação circula na legenda, incluindo pastas já comandadas pelo PT e a futura Segurança Pública. Para esse ministério, alguns petistas chegam a citar Fernando Haddad. A hipótese é considerada pouco provável por outras alas, que apostam no ex-ministro, derrotado na disputa pelo governo de São Paulo, para a Casa Civil.
Outra proposta com força no partido é levar Gleisi Hoffmann para o Ministério do Desenvolvimento Social, responsável pelo Bolsa Família. Ex-ministra e ex-presidente do PT, ela foi derrotada na disputa ao Senado pelo Paraná. Gleisi ocuparia o lugar de Wellington Dias, que voltaria ao Senado para reforçar sua influência no Piauí. Visto como um grande articulador, Dias teria papel importante diante da nova composição da Casa, ainda mais conservadora.
Por ora, perderam força os rumores de que o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, iria para a Fazenda. Petistas veem hoje a possibilidade de Lula manter no cargo o atual ministro, Dario Durigan, que tem articulado as conversas do presidente com nomes da economia. Fonteles não foi chamado para o encontro com economistas realizado nesta semana, e a tendência é que ele cumpra o novo mandato no estado.



