Pedido de vista de Flávio Dino vai até 15 de dezembro, e Fachin manteve inquérito do Master por mais 90 dias. Possível retomada do debate deve coincidir com posse de um Senado mais à direita

Os sinais emitidos até agora pelo STF (Supremo Tribunal Federal) não apontam para uma retomada, ainda em 2026, do julgamento sobre o envolvimento de ministros da corte com o banqueiro Daniel Vorcaro.

A tendência é que a troca de acusações entre o ministro André Mendonça e o ministro Alexandre de Moraes, que sacudiu o primeiro turno das eleições presidenciais, só volte à pauta no próximo ano.

Duas pendências são determinantes para a reabertura do julgamento. Uma delas é a devolução, pelo ministro Flávio Dino, da questão de ordem levantada por Gilmar Mendes sobre a análise conjunta das suspeitas contra Moraes e Mendonça. O pedido de vista de Dino foi feito em 15 de setembro e, em tese, ele tem até 15 de dezembro para devolver o processo ao plenário.

O prazo termina, portanto, cinco dias antes do recesso do Judiciário, que vai de 20 de dezembro a 6 de janeiro. Na sequência, vêm as férias coletivas dos ministros, que se estendem até o fim de janeiro e suspendem os julgamentos colegiados.

A outra está na decisão tomada na quinta-feira, 29, pelo ministro Edson Fachin, presidente do STF. Ele determinou que o inquérito da Operação Compliance Zero, que investiga o suposto esquema de fraude financeira do Master, fique sob sua responsabilidade por mais 90 dias.

Nesse período, Fachin espera que a Polícia Federal lhe entregue tudo o que foi apurado sobre os ministros. Com as férias coletivas, o julgamento só deve ser retomado em fevereiro, quando o plenário volta a se reunir. A data coincide com a posse do novo Senado, que terá uma forte bancada de direita, eleita com a bandeira de aprovar o impeachment de ministros do Supremo.