No PL, o nome de Tarcísio na disputa pela Presidência em 2030 é apontado como o mais provável. A ideia é retomar a chapa considerada dos sonhos, com Michelle Bolsonaro como vice
Autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), a visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Valdemar Costa Neto amanheceu nesta quinta-feira, 29, na casa do ex-chefe do Planalto com a missão de colocá-lo a par dos últimos acontecimentos. “Vou contar as novidades para ele, contar como está toda situação para ele. Vai dar tudo certo”, disse Valdemar ao chegar. Ao mesmo tempo, o comandante da sigla afirmou não ter gostado da carta de teor golpista divulgada por Flávio Bolsonaro após a fuga para os Estados Unidos.
A visita faz parte do movimento de construção de uma alternativa conservadora para 2030, em tom menos radical e mais palatável a eleitores de direita e de centro. A ideia é deixar no passado o arroubo da autoproclamação de Flávio e aproveitar o que ainda resta de prestígio do clã, capital que tende a ficar nas mãos de Michelle Bolsonaro, eleita para o Senado.
Vale lembrar que a candidatura de Flávio foi imposta ao partido pelo ex-presidente, mas a chapa dos sonhos da cúpula da legenda sempre foi a composição com Tarcísio de Freitas, governador reeleito de São Paulo, na cabeça e Michelle como vice. O movimento de Valdemar busca uma solução gradual, sem que pareça um abandono. Isso porque não há como prescindir da parcela radical que engrossou os quase 60 milhões de votos do senador no segundo turno.
Tarcísio já vem se colocando como crítico do esperneio de Flávio diante do resultado das urnas. Entre integrantes do PL não alinhados ao senador, o nome do governador paulista já é dado como certo para as próximas eleições, assim como o abandono do ex-candidato após a fuga para os Estados Unidos. “Agora é a vez de Tarcísio”, disse um dirigente da legenda.
Inconformado, o senador eleito Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente, reagiu ao movimento de descarte. Nas redes sociais, ele reclamou: “O sistema voltou à sua rotina diária como se Jair Bolsonaro, os mortos, exilados e perseguidos jurídicos não existissem. Como de praxe, o revezamento de figuras volta ao teatro de enterrar vivo o homem que foi um dos responsáveis pelo processo de amadurecimento político da nação”.



