PT sinaliza possibilidade de apoiar a troca do sistema proporcional pelo distrital misto, enquanto PL teme perder força com o fim dos ‘puxadores de votos’
Lideranças e parlamentares do Centrão avaliaram, em conversa com o PlatôBR, que o PL deve ficar "isolado" na oposição à PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que prevê a substituição do atual sistema eleitoral proporcional pelo modelo distrital misto a partir de 2034. Patrocinada pelo bloco como reação ao encolhimento nas urnas e ao avanço da sigla bolsonarista, a reforma deve contar, por outro lado, com o apoio da base do governo no Congresso.
O PT passou a se mostrar favorável à reforma após a reeleição de Lula, em meio às negociações para organizar a base já de olho na próxima legislatura. Entre governistas, o diagnóstico é de que o apoio à proposta seria um aceno ao Centrão, principal beneficiário do novo modelo eleitoral e com quem Lula precisará contar para assegurar a governabilidade no novo mandato. A abertura ao tema foi sinalizada recentemente pelo presidente nacional do partido, Edinho Silva, e endossada nesta quarta-feira, 28, pelo líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP). “É um tema que a gente tem que debater. É preciso debater, em conjunto, uma reforma político-eleitoral”, disse o senador ao PlatôBR.
O gesto, porém, não significa que haja consenso entre os governistas em torno da mudança. Há, entre partidos da base aliada, o receio de que o voto distrital misto dificulte a eleição de candidatos com menor projeção e reduza a renovação parlamentar. A adoção do chamado “distritão”, prevista para valer em 2030 como uma espécie de transição, também preocupa. Nesse modelo, as vagas na Câmara ficariam com os candidatos individualmente mais votados em cada estado, sem transferência de votos entre candidatos de um mesmo partido.
A mudança também não agrada ao PL. O partido, dono da maior bancada da Câmara na próxima legislatura, elegeu 121 deputados, incluindo os dois candidatos mais votados para a Casa em todo o país: Nikolas Ferreira (PL-MG), com cerca de 3,1 milhões de votos, e Lucas Pavanato (PL-SP), com aproximadamente 3 milhões. Juntos, os dois “puxadores de votos” ajudaram a eleger outros 15 deputados da sigla. Isso porque, no sistema proporcional, os votos recebidos pelos candidatos também contam para o partido ou a federação. Com o “distritão”, a legenda perderia esse mecanismo para eleger correligionários menos votados.
A proposta de reforma eleitoral foi anunciada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), após reunião nesta quarta-feira, 28, com lideranças de PP, União Brasil, Republicanos, MDB, PSD, PSB, PSDB, Cidadania e Podemos. Segundo Motta, a intenção é votar a PEC ainda neste ano, tanto na Câmara quanto no Senado. Pelo modelo discutido, o sistema proporcional seria substituído pelo “distritão” nas eleições de 2030 e, a partir de 2034, pelo distrital misto.



